quinta-feira, 16 de junho de 2011

Gente cometa, gente estrela.

Há pessoa estrelas, há pessoas cometas.
Os cometas passam.
Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As estrelas permanecem.
O Sol permanece.
Passam anos, milhões de anos e as estrelas permanecem.
Há muita gente cometa.
Passa pela vida da gente apenas por instantes, gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente que passa sem marcar presença.
Brilham apenas por instantes e com a mesma rapidez que aparecem, também desaparecem.
Importante é ser estrela.
Permanecer.
Estar presente.
Marcar presença.
Estar junto.
Ser luz.
Ser calor.
Ser vida.
Podem passar os anos, podem surgir distâncias, mas a marca fica no coração.
A solidão de muitas pessoas é consequência de que não podem contar com ninguém.
A solidão é resultado de uma vida de cometa.
Ninguém fica.
Todos passam.
E a gente também passa pelos outros.
Olhando os cometas é bom não sentir-se como eles, nem desejar prender-se em sua calda. Olhando os cometas é bom sentir-se estrela, marcar presença.
Ter vivido e construído uma história pessoal, ter sido luz e calor para muitos.
Ser estrela nesse mundo passageiro, neste mundo cheio de cometas é um desafio, mas acima de tudo uma recompensa.
É nascer e ter vivido e não apenas existido.


segunda-feira, 16 de maio de 2011


"Há impossibilidade de ser além do que se é. No entanto , sou mais do que eu, quase normalmente - tudo que eu fizer é continuação de meu começo. A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou ? Bem, isso já é demais ."

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 4 de maio de 2011




"Não te irrites, por mais que te fizerem...
estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
teu mais amável e sutil recreio..."

(Mario Quintana)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vislumbre

"O autor do Zohar, principal livro de Cabala, Rav Shimon Bar Yochai, ensina que não importa o quanto sejamos negativos ou desconectados, todos nós temos vislumbres momentâneos de como nossas vidas podem ser boas. Os cabalistas chama isso de "Luz da Sabedoria", que é o potencial de uma pessoa, povo ou coisa. Ele é análogo a uma veneziana sendo levantada em um quarto escuro. No momento em que a veneziana é baixada novamente, temos duas opções: ir em direção ao sonho ou nos convencermos de que tudo não passa de besteira. Estamos condicionados a nos prender àquilo que não conseguiremos fazer e no que não dará certo. Precisamos aprender a focar no que podemos fazer e no que dará certo. Quando existe um desejo, existe alguma forma de realizá-lo."

(texto retirado da coluna "Cabala" do Jornal EXTRA)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Nós

Quando vem falar de religião comigo as pessoas acabam descobrindo um mundo a parte do que elas tem em mente. Para todos ou você acredita devotamente em um ser do além, um ser diga-se divino ou você não tem fé e acredita no que a ciência diz. Há aqueles que simplesmente preferem não acreditar em nada. E há aqueles, como eu, que acreditam em si mesmos. Mas quanto egocentrico seria acreditar em si mesmo. Será nós mesmos deuses?
Seria interessante essa teoria. Mas digamos que o egocentrismo faz parte de nossa história como seres habitantes desse planeta. Bom, qual o objetivo da nossa espécie? Sobreviver e reproduzir para que a espécie se mantenha viva. Qual o objetivo de cada ser? Sobreviver e procurar ter vida boa com saúde, paz e amor e DINHEIRO. Dizem que dinheiro traz todo o resto, mas há que se discutir o assunto em outra hora. O que importa é o fato de sermos egoístas e egocentricos por natureza.
Mas me diga, com toda essa ganância existente no mundo que nos transformou ao longo de décadas em máquinas humanas movidas a trabalho e dinheiro, ou trabalho por dinheiro, como ainda somos capazes de manter vivos nossos sentimentos? Somos ou não divinos? Somos ou não dignos de nossos lugares no altar? Enquanto todos procuram suas respostas no divino eu procuro minhas respostas em mim mesma. Pra que olhar para o que está além se podemos descobrir tanto apenas olhando para dentro de nós. O que um Deus perfeito, oniciente e onipresente poderia me ensinar sobre as imperfeições e particularidades de cada pequeno ser? Então por que não nos focarmos no que conhecemos melhor e desvendar assim cada vez mais as pequenas coisas que nos levam a ser o que somos. O quão é intrigante e envolvente se aprofundar nas pessoas, descobrir aos poucos do que são capazes e porque são capazes. Como pensam e como agem e o que as faz assim. Se pararmos para observar o mundo ao nosso redor vamos descobrir que os donos dos maiores poderes somos nós, pobres seres mortais que vivem ao acaso do destino, de olhos vendados para as consequencias do futuro mas que não se impedem de ir em frente e fazer da vida seu prórpio show.

Mag (:

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

"O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)